sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Destruição de empregos com carteira

Dados publicados ontem pelo Ministério do Trabalho confirmam forte tendência de destruição de empregos. Vejam no gráfico abaixo:





Gráfico azul mostra os dados mensais do Caged de criação de novas vagas de trabalho com carteira assinada (ou destruição) desde 2003, tirados da bloomberg.

Gráfico vermelho são os mesmos dados ajustados sazonalmente ( X-11), uma vez que os dados de emprego tem um forte componente sazonal. O gráfico preto mostra sua média móvel de 3 meses.

Abaixo notamos que geração de empregos veio desacelerando desde 2011 ( reta amarela), e que a tendência se acelerou nos últimos 12 meses:





Fatos:

  1. no primeiro gráfico, seta amarela mostra que, na ponta, estamos destruindo mais de 200 mil empregos com carteira por mês, ou seja, um ritmo de 2.400.000  empregos destruídos por ano, superior ao visto no auge da crise de 2009 e o pior desde 2003.
  2. segundo gráfico mostra que esta tendência de queda começou em 2011 e se acelerou após as eleições de 2014, e tudo indica que ela vai continuar assim.
Resumo:
  • Não dá para culpar ajuste fiscal que mal saiu do papel
  • Não dá para culpar somente a crise recente, pois há 4 anos isto vem acontecendo, apesar das pedaladas fiscais de 2014 e da piora do quadro fiscal patrocinada pelo Guido e cia.
  • Estamos vivendo a pior crise de emprego dos últimos 12 anos.
Para sair desta crise é preciso:
  • não perder grau de investimento nas duas outras agências classificadoras de risco, pois se perdermos este quadro piorará ainda mais;
  • promover uma melhora nas contas públicas no curto prazo, visando impedir explosão da relação dívida PIB, evitando assim nosso rebaixamento;
  • promover reformas que impeçam elevação dos gastos públicos acima do crescimento do PIB nos próximos 10 anos, com uma reforma da previdência e a criação de um limite legal aos gastos públicos na LRF e na constituição.
  • manter juros elevados até que núcleos da inflação comecem a cair.
  • fazer uma reforma financeira e cambial que crie mecanismos sustentáveis para o financiamento imobiliário e de investimentos produtivos de longo prazo, sem subsídios do Estado
  • um plano mais agressivo de concessões e privatizações, que traga investimento estrangeiro para o Brasil, que assim poderia impulsionar a geração de empregos
Feito isto, poderemos sim iniciar um processo sustentável de queda dos juros, que poderá ajudar na retomada da economia. 

O resto é papinho populista, do mesmo tipo que fracassou no Equador, Venezuela e Argentina. Até Lula já está reconhecendo que o ajuste fiscal é inevitável...





2 comentários:

  1. Concordo com a perspectiva da análise Ricardo. Ontem publiquei um comentário que apontando resultados que talvez vão, inclusive, no sentido do que dizes. Se quiseres dar uma olhada, segue o link.

    http://www.institutoliberal.org.br/blog/sempre-ha-alternativas-o-brasil-nao-precisa-de-mais-impostos-e-sim-de-mais-austeridade/

    Obrigado.

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  2. Ricardo,
    A receita que dá é palavrão nas hostes petistas. Quase nada disso é provável.
    ZéCarlos

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