segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Agora quem deve são as empresas

O quadro de endividamento externo do Brasil hoje é muito diferente daquele dos anos 90, quando o governo estava exposto ao risco cambial. Naquela época o Estado estava endividado em dólares, seja através da dívida externa assim como da dívida interna, e de swaps indexados ao dólar.

Hoje nosso estado é credor em cerca de US$ 190 bi, pois, nossas reservas somam 375 bi, enquanto a dívida em US$ do setor público está ao redor de 70 bi e o volume de swaps é inferior a US$ 110 bi. Ou seja, para cada R$ 0,10 que o dólar sobe, o estado gera um ganho de R$ 19 bi. Este ganho, contudo, só será de fato realizado se e quando o BC vender suas reservas.

Por outro lado, as empresas, diretamente ou indiretamente através dos bancos, acumularam desde de 2009 um montante expressivo de dívidas em dólar, como mostram os gráficos abaixo azul e preto abaixo:





Ou seja, esta turma teve suas dívidas aumentadas em cerca R$ 300 bi de janeiro para cá.

Dá para imaginar o aperto que esta turma vai passar para pagar estas dívidas. Isto equivale a um mega aperto monetário. Se colocarmos as contas públicas no lugar, reduzindo o risco fiscal do país, abriremos um espaço enorme para uma queda de juros em escala impressionante.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo Blog ,sou leitor assíduo

    Com essas dívidas enormes e juros altos , teremos uma crise de pagamentos p/ as empresas brasileiras? Recentemente tivemos um default do General Shop. , OAS e etc
    O yeld de bonds de grandes bancos brasileiros estão convidativos , por ex. o Bradesco 2022 está com 6,5% . O risco seria muito alto de entrar nesses papéis?

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